Mercado de trabalho » Internacional

RPs no exterior

Profissionais de Relações Públicas conquistam espaço em outros países

Construir uma vida no exterior é o sonho de muitos brasileiros, principalmente quando vem acompanhado da possibilidade de atuar na sua área de formação. Tanto estudantes, quanto profissionais formados já sentiram vontade de experimentar  nova cultura, novo idioma, novo desafio. Em alguns casos, a falta de informação e de contatos afasta a coragem de partir para o segundo passo: colocar o plano em prática.

Na área de Relações Públicas não é diferente, os estudantes e profissionais ainda têm receio de enfrentar o mercado internacional, seja pelo desafio de um novo idioma ou por processos burocráticos de validação de diploma. No entanto, existem RPs que resolveram encarar o incerto e se aventuraram nas áreas de comunicação de empresas internacionais. É o caso de três gaúchas, formadas em Relações Públicas pela Famecos (PUCRS) que moram no exterior.

Do interior do Rio Grande do Sul, mais precisamente de Júlio de Castilhos, Melina Chaves resolveu fazer do seu passatempo favorito uma experiência definitiva: viajar. Com a influência dos seus irmãos que já residiam no exterior e sua descendência italiana, Melina correu atrás da documentação necessária e arrumou as malas rumo à Itália, país no qual possuía maior facilidade de moradia. No Reino Unido, ela instalou-se em Londres/Inglaterra, aonde mora há cinco anos. Embora não dominasse o idioma local, o inglês, Melina encontrou diversos motivos para permanecer nesse país: segurança, qualidade de vida, saúde gratuita, etc. Iniciou com trabalhos não relacionados à sua área de estudo até possuir segurança na diálogo. Foram cinco meses de babá e aulas de inglês até o momento de enviar seu primeiro currículo para uma vaga em comunicação. Mesmo sabendo que não conseguiria ocupar um cargo similar ao que tinha do Brasil, Melina atuou em diversas vagas temporárias na área de Relações Públicas até surgir uma oportunidade na empresa britânica Blue Duck Education, mais conhecida por Mangahigh, em que atua como School’s Manager há quatro anos. “Lembro que eu não preenchia todos os requisitos solicitados, sendo que um deles, ter inglês fluente, mesmo assim resolvi mandar meu currículo. Para a minha surpresa fui chamada para entrevista em português com o meu atual chefe que é brasileiro”, afirma.
Melina ressalta que o mercado de trabalho internacional é muito diferente do Brasil, principalmente na questão de salários e valorização do funcionário, em que todos da empresa são tratados com igualdade. Ela também afirma que a atividade de Relações Públicas é bastante reconhecida no país e que experiência profissional e habilidades são mais relevantes do que diploma em si. “Não precisa ter um diploma para trabalhar na área que deseja e sim, mostrar suas habilidades, conhecimentos e experiências”, reforça Melina.

Melina não foi a única a fazer dessa aventura uma escolha permanente. Em outro continente, encontram-se Edna Santos e Luciana Sant’Anna, ambas Relações Públicas, nascidas em Porto Alegre/RS e que atualmente residem no Canadá.
Edna que adora filmes, séries e um bom café, que possui uma segunda graduação em Administração de Empresas e especialista em Marketing Estratégico, optou por Barrie no Canadá, por adorar o clima de inverno, que dura mais de seis meses, e também por se encantar pela receptividade canadense. Edna que ocupava o cargo de Relações Públicas da maior universidade privada do Brasil, coordenando o cerimonial de suas principais solenidades e organizando eventos com a presença de autoridades nacionais e internacionais, ao encerrar este ciclo, se viu desafiada após receber uma resposta negativa de trabalho por não atender a um dos requisitos: vivência no exterior. “Decidi que era o meu momento de viver essa experiência. No início de 2018, mudei para o Canadá”, afirma ela.

Hoje, Edna estuda Business na cidade de Barrie e nas horas elegíveis de trabalho atua essencialmente na operação de eventos em Toronto e Grande Toronto. “Estou no Canadá há quatro meses e realizada com essa nova fase da minha vida” reforça. A Relações-Públicas também afirma que assim como Londres, a valorização e reconhecimento da área e do profissional por empresas e empregadores, o que a motiva a jamais abrir mão da sua primeira formação acadêmica.

Luciana Sant’Anna, também formada em Relações Públicas e especialista em Programação Neolinguística e Coaching, saiu do Brasil com seu marido e uma filha de quatro patas em busca de qualidade de vida e um futuro melhor para o casal e seus futuros filhos: “confesso que não foi nada fácil deixar família e amigos, e uma carreira iniciada no Brasil”.

Apesar das dificuldades iniciais durante o processo de adaptação ao exterior, como idioma, clima, entre outros, Luciana começou desde cedo a buscar por uma oportunidade profissional, do qual conseguiu após 5 meses no Canadá, sendo seu primeiro no Subway. Após essa experiência atuou como assistente em eventos de um hotel durante nove meses, quando conseguiu trabalho na área de Marketing. “Sobre o trabalho no hotel, foi até interessante, pois como no Brasil havia trabalhado muito com eventos, pude perceber o seu outro lado”, afirma ela. Além disso Luciana diz que sentiu grandes diferenças entre a forma de trabalhar no Canadá e Brasil, “o ritmo de trabalho é muito diferente. Tudo é mais tranquilo, então, não senti aquela concorrência fortíssima brasileira, bem como aquele correr contra o tempo que estamos acostumados por aí”. Luciana seguiu com seu trabalho de Coach tendo dois programas principais: “sintonizando pelo Mundo”, focado no Coaching para pessoas que também estão saindo do Brasil e precisam de apoio, autoconhecimento e planejamento, e o “Vida em Sintonia”, programa regular de Life Coaching.

Luciana afirma que a decisão de morar no exterior e atuar na área de Relações Públicas requer reflexão e planejamento “Nem todo mundo tem perfil para imigrar. A pessoa precisa se conhecer e saber porque está em busca disso”. Tal colocação vem ao encontro da opinião de Edna de que não existe certo ou errado “os comunicadores em formação ou em atuação no mercado profissional precisam primeiramente refletir quais são suas metas em dois ou cinco anos e o que realmente estão fazendo para atingi-las. Depois dessa profunda e sincera reflexão, se morar no exterior é um passo determinante para realização das metas profissionais, essa é a resposta”.

As três gaúchas tiveram êxito em suas experiências, mas lembrando sempre que sem planejamento e força de vontade, nenhum profissional chega aonde almeja. O que afirma o pensamento de Edna “Independente de morar no exterior ou não, o mais importante é ter a certeza que o estudo é contínuo. O mundo está mudando, e a comunicação também”.