Mariana Santos, designer do jornal The Guardian, fala sobre sua trajetória

Mariana mostra com orgulho que faz parte da família The Guardian. Foto: acervo pessoal.

Mariana Santos, designer de animação e interação do jornal The Guardian, esteve presente no último SET Universitário da PUCRS para uma palestra sobre Processo criativo em projetos de visualização de dados – interação entre profissionais numa News Room (case The Guardian). Em entrevista, Mariana conta um pouco sobre sua trajetória desde a saída de casa até o sucesso no The Guardian.

Nascida e criada na região do Algarve, em Portugal, mudou-se para Lisboa com 17 anos para cursar Ciências e Matemática, tendo a disciplina de Arte como extracurricular. Em seu primeiro ano na Escola de Belas Artes optou por Escultura, onde ficou conhecida como Mariana Parte Tudo, por ter partido muitas contraformas de barro, espalhando gesso líquido pela Escola. Quando decidiu mudar para Design de Equipamentos, percebeu que sua qualidade era mesmo se comunicar e foi só então, no terceiro ano do curso de design, que candidatou-se para fazer design de comunicação, fazendo assim as cadeiras que faltavam de comunicação.

Com um currículo com referências diversificadas, desde nadadora de alta competição à atriz e hospedeira de eventos, sua única certeza era que queria estudar fora do País. Tinha duas escolhas em mente, Finlândia ou Saint-Etinee, na França. Acabou indo para sua segunda opção. Já em terras francesas escreveu o livro “Se não acreditas em ti, acreditarás em que?”, com tiragem de 2.000 exemplares. Para Mariana, essa transição fora do país foi muito importante: “Estes tempos difíceis fizeram-me perceber o que gosto e passar por eles, pois saio deles mais forte e cada vez capaz de enfrentar qualquer tipo de adversidade”.

Sua carreira de designer gráfica começou com um estágio na Universal Music, onde veio a ilustrar capas de CDs e, graças ao olho e atitude de um colega, aprendeu AfterEffects. Logo ao final do primeiro mês estava fazendo showreels para cantoras Maria Carey, Mika e para marca alemã Adidas. Porém, achava injusto receber menos de 1.000 euros. “Ainda hoje acho que foi a melhor decisão que tive. Se não formos nos valorizar ninguém o fará”, disse Mariana. Assim, retornou a Portugal. Durante os seis meses que esteve em Lisboa cursou ilustração gráfica, curso oferecido pela Universidade de Belas Artes e, na parte da tarde, ia para Almada aprender a tosar cães.

No meio do curso de ilustração começou a dar mais ênfase para a educação em nível digital e resolveu candidatar-se a uma vaga na escola de digital media em Estocolmo, Suécia, que na época custava em torno de 20.000 euros.  Foi quando Mariana resolveu vender seu carro, trabalhou de manhã à noite na tosa de cães no Algarve e ainda pediu uma pequena ajuda ao banco para conseguir financiar totalmente seu curso. Já em Berlim, foi a um recrutamento com mais de 500 pessoas e foi selecionada.

A próxima etapa foi Londres onde procurou o diretor de tecnologia do The Guardian. Logo após uma conversa de quase duas horas, recebeu o convite para trabalhar, com a oferta de um salário mínimo. Após o primeiro mês, foi convidada a ficar na equipe e assim terminou seu mestrado em Hyper Island via Skype e por e-mail.