Jovem empreendedor

Três negócios e muitas ideias na cabeça

Sócio de dois bares, um hostel e com o próprio negócio de camisetas de futebol, Carlos Caloghero é um exemplo de jovem empreendedor. A carreira desse fã de futebol, apaixonado pelo Grêmio, começou aos 20 anos quando viu na venda de camisetas de times uma oportunidade de renda extra.

Em frente ao Brechó do Futebol, onde tudo começou. (foto: Acervo Pessoal

Logo no começo da faculdade, teve contato através de um amigo a sites de venda, onde comprou sua primeira camiseta (uma camiseta da Kappa de 2001, do time reserva da Itália), colocou a venda no Mercado Livre e, no dia seguinte, vendeu por quase três vezes o valor pago.

Depois de um tempo, começou a trocar camisetas, já com uma clientela fixa e expandiu os negócios. “Comecei a comprar coisas de times argentinos e encontrei um mexicano que morava em Buenos Aires. Comecei a me especializar em times de futebol latino”, conta Caloghero.

Negociou algumas mercadorias no México e, com o dinheiro que conseguiu, foi a Buenos Aires em busca de mais material para ampliar o negócio. “Eu ganhava bem, estava na média dos meus amigos. Tinha dinheiro para comprar minha cerveja, minhas coisas. Mas eu já estava insatisfeito de estar trabalhando em casa, estava tudo uma bagunça, camiseta por todos os lados. Eu estava querendo fazer algo sério”, destaca o empreendedor.

Em função do próprio negócio, viajou várias vezes à Argentina, hospedando-se sempre em hostels. Viajou à Europa e, na volta, a vontade de abrir um modelo dessas hospedagens cresceu. Chamou um amigo para conversar sobre a ideia e uma possível parceria.

Acabou montando um brechó de camisetas de futebol na Cidade Baixa, criou um blog, pegou todas as camisetas de casa e levou para lá. “Passei a aceitar camisetas como pagamento e começou a ter visibilidade o brechó, os amigos passaram a ir ali”, relembra Carlos. Ele chamou dois amigos e propôs  montar um bar juntamente com o brechó, para receber bem as pessoas.

A partir daí, a história desses três empreendimentos se interligaram. Com o retorno do bar e das camisetas, montou o Hostel Casa Azul. E hoje administra os negócios junto com seus sócios e amigos.

“Precisava de visibilidade
para as camisetas,
para investir no
sonho de montar o
Hostel Casa Azul.”

Sobre as dificuldades de abrir o seu próprio negócio, Carlos diz: “Imagino que o grande desafio quando o jovem pensa, ‘vou montar uma empresa’, é o trabalho de viabilidade, a parte burocrática dos negócios”.

Com a faculdade não concluída, ele afirma que boa parte das ideias dos estabelecimentos veio da época de estudante da UFRGS. “O principal da faculdade, para mim, é o intercambio cultural com pessoas que não fariam parte da tua rotina caso tu não tivesse entrado ali” e ainda ressalta que pretende concluir seus estudos na área de Relações Públicas.

O principal segredo para manter um empreendimento é a força de vontade e trabalhar duro, pois existem suas desvantagens. “A principal desvantagem é a falsa autonomia, isso é uma bobagem, tu não é patrão nada. Quando tu tem o negócio pequeno, no meu caso são três negócios, tu acaba investindo para garantir teu emprego”. Mas todo esse trabalho tem sua gratificação. “O reconhecimento é uma coisa muito bacana. A vantagem é que eu trabalho com coisas que eu gosto. Eu gosto de trabalhar aqui, de conhecer o pessoal”. Portanto, se você pensa em ter seu próprio empreendimento o negócio é baixar a cabeça e batalhar muito.