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Famecos inova no trote

Alunos têm nova experiência ao ingressar à vida acadêmica

No mês de março, ocorreu o “#MeAjudeATeAjudar”, o trote solidário da Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos, com intuito de inovar e proporcionar uma recepção mais calorosa para os novos egressos. Um grupo de estudantes, veteranos dos cursos de Design, Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Produção Audiovisual e Relações Públicas, organizou uma arrecadação de livros, assim, aproximando causas sociais da comunicação e, também, promovendo mais integração entre os alunos.

O “#MeAjudeATeAjudar” trouxe uma nova proposta para o tradicional “trote sujo” de início de faculdade. O projeto funcionou como uma troca. Os calouros tiveram como meta arrecadar 500 livros para doação no período de uma semana, e, assim, como um tipo de recompensa, os veteranos realizaram o “trote sujo”, que é tão esperado pelos novos estudantes universitários e que contou com a participação de aproximadamente 15 calouros. Como resultado, a meta foi batida e os livros foram doados para quatro instituições diferentes. A partir dessa ideia que o nome foi pensado, um colaborando com o outro e, além do mais, ajudando pessoas. “O trote foi surpreendente! Não beneficiou apenas os alunos da Famecos, mas também as instituições para onde os livros foram doados”, disse Eduarda Cortez, caloura de Relações Públicas.

Alunas contam os livros arrecadados. Foto: Felipe Ribeiro

Voltando a aliar solidariedade à Famecos como uma forma de inovar o início do semestre, os organizadores tinham como objetivo retomar as ações solidárias que envolvessem os novos alunos dentro da própria Escola, que ocorreram pela última vez em 2014, e proporcionar mais integração entre todos os cursos da Escola. “A proposta foi sensacional! Todos seremos colegas de Faculdade e profissão, termos mais momentos para interagir e nos aproximarmos é ideal”, conta Gabrhyel Gomes, aluno do 3° semestre de Publicidade e Propaganda e um dos membros da equipe de organização da iniciativa. Gomes também acredita que, se o projeto continuar nos próximos semestres, vai realmente trazer uma grande diferença para a Famecos: “Já somos uma família. O prédio é consideravelmente pequeno, conhecemos todo mundo. Se mantivermos com o “#MeAjudeATeAjudar”, a tendência é que vire uma tradição e que, assim, se torne uma recepção mais calorosa ainda para os calouros, aproximando todos. ”

O projeto também foi considerado um grande facilitador para os alunos veteranos. Por ser planejado e executado somente por uma equipe de representantes dos cursos, que manifestaram interesse em colaborar, os outros estudantes ficaram com uma preocupação a menos para o começo do ano letivo. “Quando chegou o semestre que era para minha turma se envolver com o trote, ninguém fez nada e, por isso, prejudicou os calouros. Saber que pessoas realmente dispostas a fazer o melhor e proporcionar um projeto como esse que, além do mais, inclui a solidariedade, foi perfeito, muito mais prático. Para mim é a forma de realmente saber que o semestre começou”, contou Camila Pires, estudante de 3° semestre do Jornalismo.

Você sabia?

O trote tem origem na Idade Média. Em entrevista à revista Veja, Antonio Zuin, autor do livro “O Trote na Universidade: Passagens de um Rito de Iniciação” e professor na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), os calouros das primeiras universidades europeias não podiam frequentar as mesmas salas que os veteranos e, assim, assistiam às aulas em outro local. As roupas dos novatos eram retiradas e queimadas, e seus cabelos, raspados como forma de prevenção contra a propagação de doenças. Era uma forma de inserir os novos alunos na nova fase, algo que os antropólogos chamam de “ritual de passagem”.

No Brasil, essa tradição virou conhecida graças a elite do século XIX, que era formada em direito em Coimbra, Portugal, e voltou ao país. O “ritual”, consequentemente, foi incorporado ao início da faculdade nos cursos de direito de São Paulo e Pernambuco, depois em todas as universidades do país.