Comunicação nas multinacionais

A inserção do setor nas organizações através da cultura das multinacionais

A partir da década de 50, os famosos anos dourados da industrialização do país que teve seu começo no governo de Getúlio e seu apogeu em Juscelino Kubitschek, a migração das multinacionais para o Brasil encetou de maneira estrondosa e, daí em diante, aumentou incessantemente. Como contavam com seu modelo e estratégia de trabalho já formulado, o setor das comunicações é aprimorado conforme o passar do tempo, sendo bastante esquecido e ignorado por determinadas organizações. Apesar de essencial para a sinergia de todos os setores organizacionais, muitas vezes, a comunicação é tratada como opcional. Esquecida, feita de qualquer maneira e ainda por profissionais não qualificados, acarreta em inúmeros problemas de trâmite de informações que podem acabar com qualquer organização em um curto período de tempo.

Em multinacionais, é mais  comum que sua importância seja reconhecida, pois estudos respeitados da área comprovam que as empresas a se destacarem e liderarem rankings, contam com um setor de comunicação corporativa muito bem preparado e eficiente. Segundo Darlene Deuner, graduada em Relações Públicas pelo IESB (2007) e pós-graduada em Gestão Estratégica  em Comunicação Organizacional pela USP (2010), atualmente, são raros os setores que não reconhecem a importância da prática de comunicação excelente dentro das organizações. Em uma forma geral, a cultura de comunicação nos últimos anos está sendo formada positivamente, afirma com base em sua experiência de seis anos na área: “A comunicação em multinacional preocupa-se muito com o alinhamento das informações em suas filiais, visa-se muito que todos tenham as mesmas diretrizes da empresa e participem das atividades estabelecidas, independentemente da localidade.” Ela destaca que o fluxo rápido e canais de aproximação entre as equipes de comunicação são imprescindíveis para o alinhamento.

Para que o sucesso deste setor que preza pela comunicação de mão dupla, ou seja, pela troca de informações de maneira a ser compreendida por ambas as partes, seja ainda maior, é necessário que haja a Comunicação Integrada e a participação de áreas diversas da comunicação no setor. A Comunicação Integrada é a união da Comunicação Institucional, Mercadológica, Interna e Organizacional, “unidas de maneira orgânica e sinérgica”, segundo os autores Bueno e Kunsch. Já a importância de profissionais de diversas áreas é a constante troca de visões que cada segmento da comunicação carrega.

Gerenciar a área de comunicação das empresas multinacionais envolve uma série de desafios e oportunidades para o profissional de Relações públicas. A visão macro, geral, do cenário faz com que o RP consiga administrar as atividades demandadas. Um exemplo citado por Darlene Deuner foi o uso da percepção e feeling, exigidos quando é necessário passar determinadas informações para o público interno através de informativo, publicidade ou ação. A determinação da melhor maneira é realizada baseada na análise de cenário e da percepção do ambiente profissional.

O toque feminino

É notório que, em grande parte das organizações, o setor de comunicação é composto por uma maioria de mulheres. Outro fato instigante, é que, apesar de sua predominância na área, nem sempre estão à frente de seus departamentos, estudos apontam que os homens ainda detêm os principais cargos executivos nas empresas, embora essa diferença esteja se revertendo.

Tendo em vista teses de autores americanos, é recomendado o equilíbrio entre a parte global e o local de comunicação. Segundo eles, é necessário que seja dada a liberdade para criação de estratégias específicas para determinado local, através de uma norma global para implantar os programas de Relações Públicas da empresa.