A Fantástica Fábrica de Brownies

Como um projeto que ficou anos engavetado ganhou força através das mídias sociais, trilhando um caminho de afeto e, em dois anos, virou referência de negócio de sucesso.

Ao entrarmos na Charlie Brownie, sediada em uma pequena casa na Av. Mariland, em Porto Alegre, logo já somos levados para um mundo encantado: do cheiro de chocolate que invade o ar, até o atendimento atencioso dos funcionários, passando pela decoração acolhedora, tudo pensado com carinho, para que os clientes não apenas comprem brownies e consumam um produto, mas vivenciem e compartilhem momentos de felicidade.

É com essa proposta em mente, que o jornalista Tiago Schmitz idealizou o negócio – que, ironicamente, nasceu de um momento de turbulência e descontentamento do empresário. “Eu já estava com 30 anos e tudo que tinha imaginado que teria com essa idade, não tinha se realizado. Estava deprimido”, conta. Foi em função da depressão que ele começou a fazer terapia e descobriu que seria importante praticar atividades que lhe trouxessem prazer. Como desde criança sempre gostou de ser o ajudante da Vó Mila (como é conhecida a avó do Tiago, e sua grande inspiração) na cozinha, a prática de cozinhar os bolinhos de chocolate – que, adaptados, dariam origem às receitas hoje vendidas na loja – não só era algo relaxante, como trazia boas lembranças da infância.

Porém, entre a venda dos primeiros brownies, em uma festa junina do Colégio Farroupilha, e a concretização da ideia, foi um longo caminho. “Eu fiz o projeto todo, mas deixei guardado no meu computador por um bom tempo. Eu tinha medo que não desse certo, não pensava que poderia viver disso”, lembra. Antes de resolver investir em uma loja física, no entanto, Tiago e a sócia, Natascha Freitas, resolveram usar a internet para testar a popularidade do seu produto e foi nesse terreno fértil que a empresa cresceu, não apenas pela qualidade dos brownies, mas pelo cuidadoso trabalho de imagem construído pelos sócios.

Tanto no Facebook quanto no Instagram, as duas plataformas que a empresa utiliza, vemos refletido todo o conceito de humanização que Tiago traz para o seu negócio. Isso é perceptível, por exemplo, na forma como cada pergunta e comentário são respondidos de maneira atenciosa e gentil, evitando mensagens padronizadas – e, apesar do imenso volume de mensagens diárias, o empresário faz questão de responder ele mesmo cada uma, para garantir que esse contato cordial seja feito da forma como ele imaginou. Ele também evita discussões, mesmo quando um cliente aparece criticando a empresa; afinal, a ideia central de todo esse relacionamento está relacionada com o afeto, o amor e a amizade.

No entanto, é possível dizer que a ideia de empresa feliz, que valoriza todos os seus potenciais humanos, dá certo porque é genuína. Assim, diferentemente do que acontece em muitas organizações que tentam vender uma imagem socialmente responsável que não é compatível com as suas práticas, Tiago começou a aplicar essa visão humanista, que permeia todo o seu negócio, junto aos seus funcionários e, como retorno, obteve uma equipe comprometida com os valores e a missão da empresa – e que transmitem isso para quem entra na loja ou faz contato por telefone.

Outro ponto favorável para a marca é que ela não transmite a ideia de “lucro a qualquer custo”. O próprio jornalista diz que prefere vender menos, mas proporcionar momentos e experiências de maior qualidade aos seus clientes. Mas o exemplo mais emblemático talvez resida no fato de que eles não investem em publicidade: toda a propaganda da marca é feita no “boca a boca”. Enquanto essa é uma forma de divulgação mais difícil e demorada de ser obtida, também é mais eficaz, porque já há estudos que apontam que, atualmente, a opinião de amigos e conhecidos sobre determinado produto ou serviço, especialmente aqueles com quem estamos conectados em rede, é o fator que mais conta na hora de decidirmos comprar ou não.

Por tudo isso a Charlie Brownie encanta, como produto e como marca, e se consolida cada vez mais como um grande case de sucesso. Fazendo parcerias com nomes grandes do mercado, como o caderno Donna, da Zero Hora, e a Casa Destemperados, não raro os famosos bolinhos são a atração principal em eventos de gastronomia pelo Estado, como aconteceu recentemente no Iguatemi, em Caxias do Sul. E a tendência é que só cresça mais, porque Tiago faz a produção mensal de 30 mil unidades de brownies com açúcar e com afeto, colocando em todo o seu esforço a máxima que vem repetida em postagens, embalagens e produtos: que seja doce – o chocolate, as relações humanas e o prazer de compartilhar um momento feliz com alguém.