A descoberta do mundo Drag

O mundo que, até então, era pouco conhecido pelos brasileiros, hoje toma proporções enormes no país

Transformistas (Drag Queens ou Drag Kings) são personagens criados por artistas performáticos que se travestem, fantasiando-se cômica ou exageradamente com o intuito geralmente profissional e artístico. A transformação em Drag Queen (ou King) geralmente envolve, por parte do artista, a criação de um personagem caracteristicamente cômico e/ou exagerado, que por trás carrega um discurso crítico-político-transformador. É o caso do Rafael Mello, estudante de publicidade que, nas horas vagas, apresenta a sua personagem Sara Vika na noite gaúcha.

Rafa Mello e a sua personagem, Sara Vika.

Rafa Mello e a sua personagem, Sara Vika.

Rafael tem 24 anos e há 4 começou a se montar, quando conheceu o reality Ru Paul’s Drag Race através do namorado. A história da Sara Vika começou no halloween de 2012, quando o Rafa e mais 3 amigos decidiram sair montados para uma festa, com a ideia de que, se as pessoas não aceitassem a ideia, eles poderiam dar a desculpa de que estavam apenas fantasiados para a festa de halloween. Mas deu certo. No dia da festa, produtores de uma outra festa popular da época convidou os quatro para participarem de um vídeo promocional natalino e, partir daí, a “carreira” da Sara Vika deslanchou. Ela começou a ser chamada para participar de festas, ser DJ fixa de outras e, desde lá, não parou mais. Hoje em dia o Rafa (e a Sara) tem o seu próprio canal no YouTube onde ensina tutoriais de maquiagem e fala sobre a sua vida.

Apesar de vivermos em uma sociedade extremamente preconceituosa, Rafael afirma que teve uma aceitação tranquila por parte de sua família, se formos comparar com outras histórias parecidas, e que nunca vivenciou nenhuma situação extrema de preconceito.  Mesmo que seus pais tenham demorado a entender o que de fato estava acontecendo com ele e que ele não estava pensando em ser transexual ou nenhum outro tipo de denominação, e sim Drag Queen, os dois aceitaram e apoiaram muito o filho, o que foi muito importante para ele.

No fim da entrevista, Rafa deixa um recado para as pessoas que ainda tem preconceito com o diferente:

“Eu acho que o primeiro de tudo é o que, teoricamente, os nossos pais ensinam, que é respeitar. Eu não preciso gostar da pessoa que está do meu lado, mas eu preciso respeitar ela. Acho que isso é com qualquer pessoa, não importa se é com a pessoa que tu vai trabalhar ou que tu vai conviver em qualquer lugar, se ela é de alguma cidade que tu não gosta, de uma cor de cabelo ou de pele que tu não gosta, se ela é de um time que tu não gosta ou se ela tem uma orientação sexual diferente da que tu tem, acredita, apoia, etc. As pessoas são feitas de sentimentos e quando a gente falta com respeito, a gente agride o sentimento daquela pessoa que não têm porque ser agredida. Cada pessoa está no mundo querendo seguir a sua vida, fazer o melhor de si, ganhar o dinheiro que quer ganhar ou levar a vida que quer levar e não tem porque a gente agredir alguém que não tá agredindo ninguém. Acho que para gente aprender a respeitar, a gente precisa conhecer. Quando tu conhece, tu sabe que as pessoas são pessoas antes de serem qualquer coisa. O preconceito atinge as pessoas antes de atingir o hétero, o gay, o branco ou o negro. Antes de qualquer coisa somos seres humanos, então não tem porque fazermos mal para outros, não vai nos trazer nada bom.”